30.10.10

#5 "Vai e Vem", José Lino Grunewald, 1959

Para a trancriação do poema "Vai e Vem" (José Lino Grunewald, 1959), foram utilizados para a imagem e composição o Adobe Photoshop CS4, illustrator CS4; aplicações freeware oNull; aplicações processing Decodeldent, Exparticules 2, Supershape 3D; plug-in Scriptographer.


Impressão digital PVC 3mm. 549mm x 841 mm


"Visualidades" no CargoCollective

No site cargocollective.com/margaridamaltinha estão expostas as 20 ilustrações referentes a este projecto.



Projecto Exposição "Visualidades" Poesia Visual nos Novos Media

A Exposição "Visualidades" - Poesia Visual nos Novos Media, decorre de dia 4 de Novembro a 2 de Dezembro, no ZEFA - Centro de Arte Contemporânea de Almancil. A inauguração terá início no dia 6 de Deszembro, pelas 17h00.


Poemas

A pesquisa reuniu um conjunto de 219 poemas de 32 poetas, na sua maioria portugueses e brasileiros, entre eles Abilio-José Santos, Alberto Pimenta, Alexandre O’ Neil, Álvaro Neto, Ana Hatherley, Antero de Alda, António Aragão, António Barros, Armando Sales Macatrão, Augusto de Campos, Décio Pignatari, E. M. de Melo e Castro, Fernando Aguiar, Julio Plaza, Mário Cesariny e Salette Tavares.

A poesia visual tornou-se, com o passar das décadas, cada vez mais figurativa e menos textual. Quando no início se apresentava apenas com palavras, na década de 1960 começou a juntar algumas formas mais visuais aos seus poemas, como a acentuação exagerada de sinais ortográficos, o ponto de exclamação (!) ou ponto de interrogação (?)

Poemas como Eis os amantes ou Tensão de Augusto de Campos, 1953 e 1956, respectivamente; Vai e Vem de Lino Grunewald, 1959, são exemplos desta primeira fase da poesia visual, que se encontrava ainda meio tímida e que procurava outras temáticas para se expressar.

Poemas de divertimento com sinais ortográficos, de Alexandre O’Neill, 1960; Hipnotismo, 1962 ou Ideogramas – Transparência, de Melo e Castro, 1964, utilizam a pontuação, exagero na acentuação e no caso da Transparência, o movimento da tipografia como forma de atribuir ao poema textual um maior dinamismo.Na década de 1970, Silêncio, de Melo e Castro (1972), enquadra a palavra “silêncio” em frames, lembrando-nos a tela de um monitor. Ainda na década de 1970, de-vo-ta, de António Nelos, um poema extremamente figurativo transmite-me a ideia de movimento e a sua captação de frame a frame, mais uma vez recorrendo ao ecrã ou quadro limitador do corpo.

Já na década de 1980 e com o aparecimento do computador, os poemas visuais tenderam a tornar-se cada vez mais figurativos e a recorrer a elementos gráficos que reportassem para o ecrã do computador. Ensaio para uma nova expressão escrita, de Fernando Aguiar, 1984 e Caules do silêncio, de António Barros, 1985, são dois poemas figurativos típicos da altura. A presença do Homem, partes do corpo, como as mãos ou o peito, são muitas vezes referenciados.


A representação do corpo nos Media Digitais

O corpo sempre esteve presente na história da arte e desde a década de 1980, os estudos relacionados com o corpo têm sido cada vez mais explorados. As representações do corpo no meio artístico sempre revelaram preocupações teóricas e científicas que surgiram no discurso da arte, da ciência, da medicina, do desporto, da moda, da tecnologia ou da estética. As abordagens teóricas e sociológicas sobre o corpo acompanham de certa forma as mudanças sociais. Aspectos demográficos, como o controlo da natalidade, o aumento da esperança média de vida, a cultura de consumo e o progresso tecnológico, afectaram a forma de olhar, de sentir e de agir dos indivíduos sobre o corpo.

«Durante muito tempo a arte serviu à ciência ilustrando e ajudando a desvendar os segredos do corpo e do mundo. Hoje a ciência ilustra a si própria produzindo imagens muitas vezes sedutoras e atraentes, entrando no domínio de arte não por ser ilustração, pois a arte não o é, mas por pretender ir além da sua necessidade e função.» (Amorim, 2003: 17)

Anteriormente por si só inalterável, o corpo surge no mundo contemporâneo como projecto, identidade e narrativa, construído através da interacção do indivíduo subjectivo com aquilo que o rodeia, onde se define o seu eu social e cultural, versátil, flexível e manipulável.O corpo contemporâneo é exibido e consumido na nossa cultura como um objecto em constante transformação. Com o advento da tecnologia e com a invasão de novos esquemas abstractos, transformou-se em algo possível de programar.

Desde a Mona Lisa de Leonardo Da Vinci (1503-06) até Marcel Duchamp, em 1912, ter representado o corpo e o seu movimento no Nú descendo as Escadas, a arte ocidental revolucionou a representação do corpo de modo a ultrapassar as limitações do corpo físico, levando a cultura visual da representação do corpo a desenvolver-se sobre vários ícones, criando imagens do corpo perfeito, que só podem ser conhecidas enquanto representações visuais.

Falar do corpo na contemporaneidade é reflectir sobre um objecto reinventado por novas fronteiras e manifestações. Depois do século XX e das profundas transformações sócio-culturais, este século trouxe desenvolvimentos tecnológicos que geraram a desmaterialização do corpo. O corpo surge com uma ausência quase total da sua forma física inicial. Surgiram as próteses, a criação do cyborg, a clonagem, a engenharia genética, a biologia molecular. Todas estas questões lançaram uma série de questões em relação ao corpo, que deixou de ser um organismo fechado. Com o microchip, próteses e implantes bio-técnicos, foi permitido conhecer o corpo sem o invadir obtendo representações abstractas e virtuais. Com tudo isto, a diversidade de materiais, linguagens e produtos informáticos, juntamente com os novos dispositivos electrónicos, fizeram com que o corpo pudesse ser visto também como um complexo sistema de processamento de informação. A relação entre o corpo e a linguagem artística é definida não enquanto a reprodução da materialidade dos signos, mas como relação necessária à experiência do mundo.

A expansão do mundo visual através da imagética da fotografia, do cinema, da internet e do vídeo e o encontro com as novas tecnologias veio possibilitar que o indivíduo, na sociedade contemporânea, experimentasse novas experiências estéticas e um novo sistema de ligações, onde nada possui um significado único, mas múltiplo e flexível.